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E quando digo gritar, digo: chorar, lamentar, espernear, assumir as minhas dores, procurar ajuda, buscar colo, ficar zangada, mandar todo mundo para a PQP, chutar o balde, pensar só em mim, enfim ... ter o meu momento. MEU MOMENTO.
Nunca fiz isso. Pois senão, deixem-me analisar:
- Quando perdi o meu irmão pus o sofrimento no "pause", e depois transferi-o láaaaaaa bem para mais a frente, para um diaaaaaa quem sabe me debruçar sobre ele e permitir-me viver a minha dor. E quando esse sofrimento ameaçava alcançar-me, lá escapulia eu outra vez porque não sabia como sofrer, não sabia e nem queria aprender, preferia viver num estado fantasioso onde se conhece a realidade mas por não se absorver por completo ela torna-se suportável, entendem? Como se de um trato de tratassse ... mas isso não durou sempre, não durou. Hoje eu sei. Hoje eu sei que talvez já devesse ter passado, se é que passa algum dia tamanha dor, em vez de ainda hoje, tantos anos depois ainda ser tão difícil aceitar que ele se foi.
- Quando fui estuprada eu fechei-me em copas, num silêncio gritante que apenas eu podia ouvir. E por fora, eu fazia todas as coisas que devia fazer, que as pessoas esperavam de mim, e conversava, e ria, e brincava, para só no meu quarto, deitada na minha cama molhar o rosto com algumas lágrimas, e quando molhasse, porque de novo ... teria realmente acontecido? Ou teria sido um pesadelo?
Essa sempre foi a minha fuga, e hoje eu vejo que escolhi ( se é que escolhi ) o pior caminho porque eu tinha mais é que ter me descabelado, me atirado ao chão, ter sido amarrada num colete de forças de tão louca, ter ameaçado acabar com a minha vida, pois no fim das contas, talvez isso seja o normal. E talvez quem aja desta forma, "normal", não seja atacado pela depressão porque expulsa todos os seus demónios sem se forçar a conviver com eles.
Será que eu fiz isso o tempo todo? Vivi e convivi com todos os demónios que me atormentavam?

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